"Deus morreu e a sua morte foi a vida do mundo", afirmou uma vez Philipp Mainländer. Foi Nietzsche que tornou famosa a noção e escreveu também que, embora "Deus esteja morto, tendo em conta o caminho dos homens, pode ainda haver cavernas durante milhares de anos em que a sua sombra será representada e projectada". Então, o que devemos fazer deste conceito que fascinou tantos filósofos, teólogos, poetas e artistas durante séculos e que gerou tantas revelações sobre transcendência e espiritualidade, Razão e Iluminação, e, acima de tudo, sobre a condição humana? Como podemos dar sentido a este paradoxo aparentemente irresolúvel e impossível – a ideia de Deus estar morto e a vida do mundo, a vida espiritual, em particular, continuar apesar disso?

LEFFEST, 2021